domingo, 31 de janeiro de 2010

Você já foi num desses lugares

Andar pelo mundo é uma coisa interessante, você acaba conhecendo lugares inusitados e com nomes que deixariam nossa imaginação voando.








quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Frases do século passado

* Para que ter olhos azuis, se a natureza deixa os meus vermelhos?
(Bob Marley)

* Se o Pitta não for um bom prefeito nunca mais votem em mim.
(Paulo Maluf)

candidatar por São Paulo, porque sou sãopaulino.
(Maguila)

* Depois da derrota o pior resultado é o empate.
(Galvão Bueno)

* Assista depois, capítulo inédito de Vale a Pena Ver de Novo.
(Galvão Bueno)

* Adoro Beethoven, especialmente os poemas.
(Ringo Star)

* Estou louca para ir a New York. Eu sempre quis conhecer a Europa.
(Carla Perez)

* Quem é o dono do Clube Atlético Mineiro?
(Vinícius Jorge Vasconcelos)

* Letra "I", de escola?
(Carla Perez)

* Meu hobby? Ah!, eu tenho um preto, mas gosto mais do vermelho.
(Carla Perez)

* Um Abraço a todos os goianos de Juiz de Fora.
(Carla Perez)

* Se Jesus Cristo não agradou todo mundo, não é eu que vai agradar!
(Carla Perez)

* A carreira artística é difícil porque tem muitas dificuldades.
(Tiazinha)

* Quando morrer, quero ser enterrada de bruços, para as pessoas me reconhecerem.
(Rita Cadillac, ex-chacrete)

* Impressionante como as coisas caem do céu para mim.
(Suzana Werner)

* Um país de Terceiro Mundo prestes a entrar no Segundo.
(Uma socialite "emergente" carioca, sobre o Brasil.)

* Minha vida deu um giro de 360 graus!
(Adriane Galisteu)

* Isso é coisa de viado.
(Pedro Bial, sem saber que estava no ar, após uma reportagem sobre um bailarino brasileiro)

* O México jogou como nunca, perdeu como sempre.
(Manchete do jornal mexicano Excelsior, depois do jogo em que o Brasil ganhou de virada por 3x2)

* As ruas da Filadelfia são seguras, são as pessoas que as fazem perigosas.
(Frank Rizzo, Major e Chefe de Polícia)

* A Internet é um grande caminho para se conectar a rede.
(Bob Dole, candidato derrotado à presidencia dos EUA)

* Quanto mais e mais pessoas são despedidas do trabalho, isso resulta em desemprego.
(Calvin Coolidge, ex-presidente dos EUA)

* A perda das vidas será irreversivel.

(Dan Quayle, Ex-Vice-Presidente dos EUA)

* Metade deste jogo é noventa por cento mental.
(Danny Ozark, tecnico de futebol americano).

* Olha só que lindo, a Torcida Palmeirense homenageando o seu time.
(Galvão Bueno, na Final da Libertadores,

enquanto a Torcida gritava "F... da P..., F... da P..." para o Juiz)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Rótulos Geniais (De produtos)

Tinha que ser nos EUA...Depois dizem que há limites
para a estupidez humana!

Dêem uma olhada nas instruções existentes nos
rótulos de alguns produtos no mundo; com um detalhe:
são reais!!

Num secador de cabelos da Sears:
"Não use quando estiver dormindo."

Num saquinho de Fritas:
"Você pode ser o vencedor! Não é necessário
comprar. Detalhes dentro."

Numa barra de sabonete Dial:
"Use como um sabonete normal." (E como poderia
ser???)

Numa refeição congelada da Swanson:
"Sugestão de servir: descongele."

Numa touca de banho de hotel:
"Ajusta-se a uma cabeça." (Ainda bem!)

Impresso no fundo, embaixo, de uma sobremesa
tiramisu do Tesco:
"Não vire de ponta cabeça."

Num pudim da Marks & spencer:
"O produto estará quente depois de
aquecido."(Extraordinária tecnologia!)

Na embalagem de um ferro de passar Rowenta:
"Não passe roupas no corpo." (Sem comentários!!!)

Num remédio infantil da Boot's Children:
"Não opere máquinas ou dirija."

Numa fileira de luzes de Natal chinesas:
"Somente para uso dentro ou fora de casa." (Ah,
bom!Não é para usar no espaço sideral...)

Num processador de comidas japonês:
"Não é para ser usado para o outro uso."

Num saquinho de amendoins da Sainbury's:
"Aviso: Contém amendoins." (Ufa! Que sorte, hein?)

Num saquinho de amendoins da American Airlines:
"Instruções: abra o saquinho, coma os
amendoins."(Se não fossem essas dicas...)

Numa moto-serra sueca:
"Não tente parar a serra com as mãos ou
genitais."(O que é isto!? Um kit doméstico de
castração???)

Numa fantasia infantil de Super-Homem:
"O uso destes trajes não o torna apto a voar."
(Olhe como isso destrói imaginação da criança!).

Embaixo de uma cadeira comum de escritório:
"Atenção, usar este produto, uma pessoa por vez."

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

"Toda vulgaridade é criminosa"

Esse texto foi publicado em um jornal local em 2000 e dez anos depois ele continua tão atual, apenas o que mudou é quem manda nas letras que desvalorizam as mulheres, agora são os forrozeiros.

Ladies and Gentlemen,

Acabo de voltar do carnaval na praia, onde fiz uma triste constatação: tá dominado, tá tudo dominado!!!
Só dá funk! O "neo forró" tenta uma reação, mas suas letras não são cafajestes e não trazem a "alegria compulsória" que o brasileiro tanto gosta. Aí não dá, né, pô?! Como é que o cara quer fazer sucesso sem tratar mulher como lixo?! Esses forrozeiros, vou te contar...

A indústria do CD pirata vai tratar de enfraquecer esse negócio, mas o jabá e a televisão devem insistir na onda por um bom tempo. Xuxa, Luciano Huck, Raul Gil, Gugu, enfim, toda essa gente boa vai se virar pra ganhar em cima. A Bandeirantes até já vai lançar um programa semanal com duas horas de duração dedicado ao funk. Isso, claro, até o "Tigrão", a mente por trás do "movimento", ser domesticado, o que, em termos mercadológicos, significa botar um terninho e gravar uma babinha pra novela das oito da Globo.

O "Tigrão", aliás, deu uma elucidativa entrevista pra revista VIP de março. Eu digo elucidativa, pois ele dissipa a névoa de ignorância (por parte do público)que encobria alguns aspectos do "movimento".

Vejamos: em determinado trecho da entrevista, "Tigrão" diz: "...As pessoas gostam desse erotismo. Mas, se você analisar, as letras nem são tão pesadas.
Elas têm duplo sentido, até porque o público infantil ouve funk"

Muitas coisas interessantes nessas sentenças! Então vamos por partes: "...se você analisar, as letras nem são tão pesadas". Eu analisei e ele está certo. Quem,em sã consciência, poderia achar pesada a letra do funk "Máquina de Sexo", que diz: "Máquina de sexo, eu transo igual a um animal/A Chatuba de Mesquita do bonde do sexo anal/Chatuba come cu e depois come xereca/Ranca cabaço, é o bonde dos careca"? Note-se a leveza de termos como "sexo anal", "cu", "xereca" (!) e "cabaço".

"Elas têm duplo sentido...". Procurei demais e não achei o duplo sentido no funk "Barraco III": "Me chama de cachorra, que eu faço au-au/Me chama de gatinha,que eu faço miau/Goza na cara, goza na boca/goza onde quiser". Ah, agora entendi! "Goza na cara" é porque o
cara ficava tirando sarro da menina pelas costas. Aí ela diz "Goza na cara!". Que coisa...

"...até porque o público infantil ouve funk". Eis uma verdade e a preocupação do "Tigrão" se justifica. Foi pensando nas crianças que o garoto Jonathan, de 7 anos (ele mal tem coordenação motora para reproduzir a coreografia) foi incentivado a gravar o funk "Jonathan
> > II", de edificante letra: "De segunda a sexta, esporro na escola/Sábado e domingo, eu solto pipa e jogo bola/Mas eu já estou crescendo com muita emoção/E eu já vou pegar um filé com popozão". 7 anos!!! 7 anos!!!
Pô, foi mal...A culpa é minha, gente grande, feia e besta, que não entendo. Então, vamos lá, repetir o discurso de dez em cada dez apresentadores de programas femininos e de auditório: todo mundo junto, um, dois, três e já: "A malícia está na cabeça do adulto, a criança só quer se divertir. Onde já se viu, se preocupar com uma coisa dessas. Das crianças que passam fome na rua ninguém fala nada...". Aplausos entusiasmados e urros de apoio, por parte do
auditório.

É bom que se diga que as crianças que passam fome nas ruas são um sério problema social, cuja resolução deve ser uma das prioridades máximas de qualquer governo (detalhe sem importância: os funks da moda não passam nem perto dessa questão. Mas, beleza, vamos lá...).
Só que é um problema do governo, a gente não tem nada com isso, não é mesmo? Ao invés disso, vamos dar risada e incentivar o moleque de 7 anos (7 anos!!!) a "pegar um filé com popozão". Afinal, nunca é cedo demais pra mostrar pro papai que se é um garanhão, que não deixa
passar nenhuma cachorra. Isso é que é uma infância saudável! E pensar que eu perdi tanto tempo assistindo "Bambalalão", "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e ouvindo aqueles discos da "Turma do Balão Mágico". Ao invés disso podia estar por aí, transando umas cachorras...
Enquanto a gente dá risada, a molecada vai crescendo com a certeza de que mulher não passa de uma bunda e um par de peitos siliconados, que gosta de ser chamada de cachorra e que acha que só um tapinha não dói. Se "só um tapinha não dói", o primeiro deveria ser dado no popozão dos tigrinhos e cachorrinhas que curtem essas coisas. Depois a gente não entende o motivo do aumento dos índices de violência contra a mulher e porque ela é tão desrespeitada na sociedade. Será que não é óbvio?

Você, cadela...quero dizer, mulher que está lendo isso, levante-se e lute! Não seja uma cachorra! Um tapinha dói, sim! Exija respeito antes que nós, homens, acreditemos que é isso mesmo que vocês querem.
Deponham as Xuxas, Carlas Perez, Feiticeiras, Tiazinhas, Enfermeiras, Internéticas, Vampiras, Fernandas Abreu e Vanessinhas Pikachu de seus reinados de miséria intelectual! Conto com vocês!!!

E lembrem-se sempre da cada vez mais pertinente frase de Oscar Wilde: "Todo crime é vulgar, assimcomo toda vulgaridade é criminosa ".

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Coisas da Internet 3 (Bebeu, mas chegou)

Esse essa foto foi enviada em 2003 pelo amigo Osvaldo teixeira, conhecido como Tigrão-Zulu, que pra mim se parece mais com a Free Willye (É assim que se escreve?)




)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"Coisas da Internet 2" Unimed... que discriminaçao.. (Piada enviada em 2003)

Outra piada enviada em 2003 pela amiga Marly. Por onde anda Marly? Nem sequer a conheci, só pela intenet mesmo.


Um fiscal do Ministério da Saúde está visitando um hospital. Acompanhado
pelo diretor, ele passa por um quarto onde um homem se masturba
ferozmente. A situação é meio constrangedora e o fiscal pede uma
explicação. O diretor do hospital explica:
-Trata-se de uma doença rara. Este paciente produz uma quantidade anormal
de esperma e é obrigado a masturbar-se quatro vezes ao dia, para evitar
que seus testículos explodam.

O fiscal se satisfaz com a resposta e prossegue a visita. Mais adiante,
ele vê um paciente sentado numa cama com uma enfermeira ajoelhada,
aplicando-lhe uma bela sessão de sexo oral.

-Exijo uma explicação para esta imoralidade num hospital tão conceituado
como este - irrita-se o fiscal...

O diretor responde:

-É o mesmo problema do paciente anterior... Só que este tem Unimed

domingo, 17 de janeiro de 2010

Coisas da Internet

Em 14 anos anos de uso de internet muita coisa me foi enviada, as que não achei interessante deletei e as que poderia guardar, deixe armazenada em um email que possuo a mais de 10 anos.

Bem antes do YouTube, do Orkut, FaceBook e Twitteres da vida, as pessoas mandavam piadas, giffs, fotos engraçadas ou coisas do genero. Isso bem antes dos celulares com suas cameras se tornarem febre na internet. Hoje cada um é de alguma forma um cinegrafista em potencial. Eu por exemplo não uso meu celular para filmagens em familias ou na rua, caso veja alguma coisa que seja interessante.

Para dar uma desafogada neste meu email jurássico, postarei para os meus milhares de leitores (Eu e minha mãe) essa perolas do gênero.
Essa piada abaixo, foi enviada em 2003, na hora rir demais e eu creio (Não tenho certeza) que você a lendo vá rir também.


Meu nome é Alfredo.
Esta noite tive um pesadelo. Um pesadelo terrível.
No pesadelo, me levanto da cama e me olho no espelho e descubro que sou vesgo. Procuro freneticamente nos bolsos, para ver minha foto na identidade, para ver se na foto sou realmente daquele jeito, e acho um passaporte, e descubro... que sou argentino.
Não pode ser, meu Deus, e me sento inconsolável em uma cadeira. Mas que merda!!! É uma cadeira de rodas, o que significa que além de ser vesgo e argentino sou também deficiente físico! É impossível, digo para mim mesmo, que eu seja vesgo, argentino e deficiente físico...
"Pois é verdade!", grita uma voz atrás de mim. É o meu namorado.
Cacete! Sou também viado.
"Foi você que pegou a minha seringa?" Ó Deus! Vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado e soropositivo!
Desesperado começo a gritar, a chorar, a arrancar os cabelos e...não!!!!! Sou careca!
Toca o telefone. É meu irmão: "desde quando mamãe e papai morreram você só faz se entupir de drogas, vagabundeando o dia inteiro! Procura um emprego, arranja algum trabalho!" Que merda, descubro que também sou desempregado!!!
Tento explicar ao meu irmão que é difícil encontrar trabalho quando se é vesgo, argentino, deficiente, físico, viado, viciado, soropositivo, careca e órfão, mas não consigo, porque...... porque sou gago!!!!
Transtornado, desligo o telefone, com a única mão que tenho, e, com lágrimas nos olhos, vou até a janela olhar a paisagem. Milhões de barracos ao meu redor.
Sinto uma punhalada no marca-passo: além de vesgo, argentino, deficiente físico, viado, viciado, soropositivo, careca, órfão, gago, maneta e cardíaco, sou também favelado.
Nesse momento volta o meu namorado e diz:
"Amor, olha o PARMERA tá jogando, vem torcer comigo!! pra ver se viramos o jogo!!

NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
PALMEIRENSE.
NÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O meu Jardim


Depois de uma longa espera consegui, finalmente, plantar o meu jardim. Tive de esperar muito tempo porque jardins precisam de terra para existir. Mas a terra eu não tinha. De meu, eu só tinha o sonho. Sei que é nos sonhos que os jardins existem, antes de existirem do lado de fora. Um jardim é um sonho que virou realidade, revelação de nossa verdade interior escondida, a alma nua se oferecendo ao deleite dos outros, sem vergonha alguma... Mas os sonhos, sendo coisas belas, são coisas fracas. Sozinhos, eles nada podem fazer: pássaros sem asas... São como as canções, que nada são até que alguém as cante; como as sementes, dentro dos pacotinhos, à espera de alguém que as liberte e as plante na terra. Os sonhos viviam dentro de mim. Eram posse minha. Mas a terra não me pertencia.

O terreno ficava ao lado da minha casa, apertada, sem espaço, entre muros. Era baldio, cheio de lixo, mato, espinhos, garrafas quebradas, latas enferrujadas, lugar onde moravam assustadoras ratazanas que, vez por outra, nos visitavam. Quando o sonho apertava eu encostava a escada no muro e ficava espiando.

Com os olhos eu via as coisas feias. Com o nariz sentia o seu fedor. Era o que estava lá, a dura "realidade" presente. Mas a imaginação é coisa mágica. Tem o poder para ver e cheirar o que está ausente. Assim, graças aos seus poderes mágicos, eu via o meu jardim ausente e sentia os cheiros de suas flores e ervas. Pensava que, de alguma forma, coisa semelhante deveria ter acontecido com Deus Todo Poderoso. Pois o que dizem os textos sagrados é que, à sua volta, só existiam escuridão e confusão. Coisas que o deixavam triste. Foi então que ele sonhou com um jardim e compreendeu que era aquilo que o deixaria feliz, se existisse. E se pôs a trabalhar para plantar um Paraíso. Terminado o trabalho, dizem os poemas, o Criador descansou, e se entregou ao puro prazer. Viu que tudo era muito bom. E, ao contrário do que dizem dele os religiosos, (que mora no céu infinito, em meio às estrelas, entre os anjos...) resolveu que lugar melhor para se morar que um jardim não existe. E lá ficou, tomando prazer especial em passar em meio às plantas, à hora da brisa quente da tarde...

Eu não acreditava que meu sonho pudesse ser realizado. E até andei procurando uma outra casa para onde me mudar, pois constava que outros tinham planos diferentes para aquele terreno onde viviam os meus sonhos. E se o sonho dos outros se realizasse, eu ficaria como pássaro engaiolado, espremido entre dois muros, condenado à infelicidade.

Mas um dia o inesperado aconteceu. O terreno ficou meu. O meu sonho fez amor com a terra e o jardim nasceu.
Não chamei paisagista. Paisagistas são especialistas em jardins bonitos. mas não era isto que eu queria. Queria um jardim que falasse. Pois você não sabe que os jardins falam? Quem diz isto é o Guimarães Rosa: "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo. Este é o Jardim do Welington. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas. Onde uma Meninazinha, banguelinha, brinca de se fazer Fada... Um dia você terá saudades... Vocês, então, saberão..." É preciso ter saudades para saber. Somente quem tem saudades entende os recados dos jardins. Não chamei um paisagista porque, por competente que fosse, ele não podia ouvir os recados que eu ouvia. As saudades dele não eram as saudades minhas. Até que ele poderia fazer um jardim mais bonito que o meu. Paisagistas são especialistas em estética: tomam as cores e as formas e constróem cenários com as plantas no espaço exterior. A natureza revela então a sua exuberância num desperdício que transborda em variações que não se esgotam nunca, em perfumes que penetram o corpo por canais invisíveis, em ruídos de fontes ou folhas... O jardim é um agrado no corpo. Nele a natureza se revela amante... E como é bom!

Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. "Em busca do tempo perdido..." Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, falou: "Coitado do Welington! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredito da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...

Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como o disse o místico medieval Angelus Silésius: Se, no teu centro / um Paraíso não puderes encontrar, / não existe chance alguma de, algum dia, / nele entrar.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino: No mistério do Sem-Fim, / equilibra-se um planeta. / E, no planeta, um jardim, / e, no jardim, um canteiro: / no canteiro, urna violeta, / e, sobre ela, o dia inteiro, / entre o planeta e o Sem-Fim, / a asa de urna borboleta.

Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

10 coisa para não se fazer antes de morrer

Curtir a vida nunca exigiu tanto esforço. Desde que Dave Freeman e Neil Teplica publicaram o livro Cem Coisas para Fazer Antes de Morrer, em 1999, listas do tipo vêm criando um sem-fim de obrigações a ser cumpridas antes que soe a hora final. Tem até uma lista dos cinqüenta peixes a ser pescados.
Freeman morreu em agosto, de acidente (aos 47 anos e tendo completado metade da lista), mas legou a permanente sensação de que sempre falta fazer alguma coisa importante.
Para amenizarem a minha frustração, três livros recentes listam o que não fazer antes de morrer.
Eu, que ainda não cheguei aos 40 anos, vi as listas do que fazer e tive a sensação de que nunca iria conseguir.
Primeiro fiquei meio deprimido. Depois percebi que era ridículo e decidi livrar-me desse tipo de opressão.
Melhor resumir, não se mate se você não conseguir e para ser mais pratico, aqui vão dez coisas que não se devem fazer antes de morrer.

Visitar o Taj Mahal — Conhecer o mausoléu transformado em declaração póstuma de amor é item obrigatório dos viajantes aventureiros. Atente-se para o fato de que o monumento é cercado de Índia por todos os lados: o rio cheira mal, o calor é insuportável, mendigos imploram por trocados e, acima de tudo, há turistas demais. Todos, sem exceção, tirando fotos que serão versões pioradas das imagens dos cartões-postais e guias de turismo. Eu não estive no Taj Mahal e acho que acontece o mesmo que com as pirâmides do Egito e com Machu Picchu: já vimos tanto na televisão e em fotos que, ao vivo, não são tão bonitos. Também dizem que é incrível mergulhar nas Maldivas, mas eu nem sei nadar. E aposto que muitas daquelas cenas eu vi em Procurando Nemo.

Conhecer vinho – Algumas pessoas nasceram no terreiro, outras no terroir. É possível, com grande esforço, fazer a transposição de um para o outro. Se não tiver jeito para a coisa, faça como todo mundo e escolha o vinho pelo preço. Saiba que a lei da oferta e da procura funciona: os mais caros são os melhores e os menos caros são os não tão bons.

Aprender outra língua – Grego antigo, alemão moderno, mandarim? Quem já fala no mínimo outros três idiomas pode se dispensar da obrigação. A regra só não serve para mulheres solteiras que querem usar o método de aprender italiano, na Itália, usando o universal e comprovado método de namorar um local.

Ler Guerra e Paz – Ou Ulisses, ou a Ilíada. São obras-primas da literatura, é verdade. Mas ninguém é obrigado a ler suas centenas de páginas se não aproveitar de verdade. Em resumo: não acabe um livro de que você não gosta. Leia outra coisa.

Completar uma maratona – Não basta caminhar na esteira, correr no parque, gastar o calçadão? Para os obcecados por saúde, quem nunca correu 42 quilômetros, como o soldado grego Feidípedes (que morreu depois de completar o trajeto entre Maratona e Atenas), é um sedentário comedor de pipoca na frente da televisão. Se der muita vontade, deite e espere passar.

Pôr em prática o Kama Sutra – Ou fazer sexo na praia. Ou no avião. Sexo é prazer, não competição. Desde quando contorção corporal é coisa erótica?",. Sem o peso da obrigatoriedade, quem sabe surjam umas idéias.

Assistir a Boca Juniors e River Plate no Bombonera, em Buenos Aires – Ou ao Fla-Flu no Maracanã, a Corinthians e Palmeiras no Pacaembu. Quem torce por algum dos times já foi. Quem não torce ficará impressionado por não mais que quinze minutos. E ainda restarão 75 – de péssima comida e banheiros muito, muito sujos.

Pular de pára-quedas – Ou fazer bungee jumping. Ou, radicalismo dos radicalismos, praticar o "zorbing", assustadora modalidade em que o praticante é colocado em uma bola gigante, muitas vezes cheia de água, que rola morro abaixo. Nunca tinha ouvido falar nisso até ler as listas do que fazer. Se você é viciado em adrenalina, faz sentido. Eu sofri um acidente de carro e posso dizer que a sensação é a mesma. Taquicardia, frio e tremedeira. É muito desagradável.

Ir a uma praia de nudismo – Além de correr o risco de sofrer queimaduras em áreas nunca dantes bronzeadas, você se sentirá inferior diante de corpos mais bonitos ou constrangido por outros nem tanto. E passará o dia sendo examinado por estranhos.

Ficar rico – Se não ficou até agora... não vai ficar e dificilmente ficará