segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Aquele velho subemprego



Há muito tempo deixou a letras
O Velho sonho da escrita
O desejo de menino de se tornar escritor
Deixou em um canto da gaveta do tempo

Há muito tempo lhe restaram as  palavras
Palavras perdidas no eco das lembranças
Ultimamente, via até onde a vista alcança

Um emprego público
Uma mesa, um computador
Protocolo, ofício das normas gramaticais
Secretária, secretário, adjunto

Não aguentava mais
Largou o conforto do lar
E com avó dexou a filha
A mais velha com a mãe

"Para o sul moço" brandava o coração
Coração que relutava na ilusão
Doçe ilusão de buscar

Procurou, procurou e procurou
E não achou o que queria

Apenas um velho subemprego
Que lhe garantia o minímo
Onde não havia o máximo de dignidade

Trabalha de domingo a domingo
Até altas horas
Onde o dono ganha milhões
E ele pequeno fatura os tostões

Velha farda, novo fardo
E na busca insana da útopia
Lhe resta mais uma ferida fria

Quem sabe um dia
esse sonho, apesar de quatro décadas
Não venha a ser um novo sonho
A se sonhar.