sábado, 20 de fevereiro de 2010

O verdadeiro e melhor Gol de Tostão, ex-jogador de futebol

O presidente Lula e a Associação dos Campeões Mundiais do Brasil negociam aposentadoria e indenização para os atletas da seleção que ganharam Copas do Mundo. O benefício valerá inicialmente aos ex-jogadores de 1958 e se estenderá, posteriormente, a quem atuou nos Mundiais de 1962, 1970, 1994 e 2002. Reunião na Casa Civil discutiu as cifras a serem pagas aos campeões. Inicialmente, o valor negociado para cada um gira em torno de mil salários mínimos, no caso da indenização (465 mil reais), e de dez salários mínimos (4.650 reais), o teto da Previdência, para a aposentadoria.

O texto abaixo foi escrito por TOSTÃO, ex-jogador de futebol, comentarista esportivo, escritor e médico, e foi publicado em vários jornais do Brasil:

Tostão escreveu:-
Na semana passada, ao chegar de férias, soube, sem ainda saber detalhes, que o governo federal vai premiar, com um pouco mais de R$ 400 mil, cada um dos campeões do mundo, pelo Brasil, em todas as Copas.

Não há razão para isso. Podem tirar meu nome da lista, mesmo sabendo que preciso trabalhar durante anos para ganhar essa quantia.

O governo não pode distribuir dinheiro público. Se fosse assim, os campeões de outros esportes teriam o mesmo direito. E os atletas que não foram campeões do mundo, mas que lutaram da mesma forma? Além disso, todos os campeões foram premiados pelos títulos. Após a Copa de 1970, recebemos um bom dinheiro, de acordo com os valores de referência da época..

O que precisa ser feito pelo governo, CBF e clubes por onde atuaram esses atletas é ajudar os que passam por grandes dificuldades, além de criar e aprimorar leis de proteção aos jogadores e suas famílias, como pensões e aposentadorias.

É necessário ainda preparar os atletas em atividade para o futuro, para terem condições técnicas e emocionais de exercer outras atividades.

A vida é curta, e a dos atletas, mais ainda.

Alguns vão lembrar e criticar que recebi, junto com os campeões de 1970, um carro Fusca da prefeitura de São Paulo. Na época, o prefeito era Paulo Maluf. Se tivesse a consciência que tenho hoje, não aceitaria.

Tinha 23 anos, estava eufórico e achava que era uma grande homenagem.

Ainda bem que a justiça obrigou o prefeito a devolver aos cofres públicos, com o próprio dinheiro, o valor para a compra dos carros.

Não foi o único erro que cometi na vida. Sou apenas um cidadão que tenta ser justo e correto. É minha obrigação.

Tostão

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Que Historia deixaremos pra nossos filhos ?

Todo mundo 'pensa' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?


Exatamente, como foi previsto há cerca de 60 anos...

É uma questão de História lembrar que, quando o Supremo Comandante das Forças aliadas

(Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, etc.),General Dwight D. Eisenhower encontrou as vítimas dos campos de concentração, ordenou que fosse feito o maior número possível de fotos, e fez com que os alemães das cidades vizinhas fossem guiados até aqueles campos e até mesmo enterrassem os mortos.

E o motivo, ele assim explanou:
'Que se tenha o máximo de documentação - façam filmes - gravem testemunhos - porque, em algum momento ao longo da história, algum idiota se vai erguer e dirá que isto nunca aconteceu'.
'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam'. (Edmund Burke)
Relembrando:
Ha poucos dias, o Reino Unido removeu o Holocausto dos seus currículos escolares porque 'ofendia' a população muçulmana, que afirma que o Holocausto nunca aconteceu...
Este é um presságio assustador sobre o medo que está a atingir o mundo, e o quão facilmente cada país se está a deixar levar.
Estamos há mais de 60 anos do término da Segunda Guerra Mundial.
Este texto serve de alerta, em memória dos 6 milhões de judeus, 20 milhões de russos, 10 milhões de cristão, 1900 padres católicos e muitas Testemunhas de Jeová, resumindo;
(SERES HUMANOS)
que foram assassinados, massacrados, violentados, queimados, mortos à fome e humilhados, enquanto Alemanha e Rússia olhavam em outras direções.
Agora, mais do que nunca, com o Irã, entre outros, sustentando que o 'Holocausto é um mito', torna-se imperativo fazer com que o mundo jamais esqueça.


Muito Obrigado!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Máximas Filosóficas

1. É bom deixar a bebida. O mau é não se lembrar aonde.

2. Existe um mundo melhor, mas é caríssimo.

3. Não sou um completo inútil... ao menos sirvo de mau exemplo.

4. O importante não é saber, mas ter o telefone de quem sabe.

5. O que sabe, sabe. O que não sabe é chefe.

6. Meu Deus, dai-me paciência... mas tem que ser já!

7. Errar é humano, mas achar em quem colocar a culpa é mais humano
ainda.

8. A mulher que não tem sorte com os homens, não sabe a sorte que tem.

9. Trabalhar nunca matou ninguém, mas... por que se arriscar?

10. Não leve a vida tão a sério, afinal nem sairá vivo dela!

11. Se você não é parte da solução é parte do problema.

12. Há duas palavras que abrem muitas portas: Puxe e Empurre.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Humanos...Humanos

Converso regularmente com um adolescente de 17 anos, exasperado e deprimido. Ele já teve outras experiências terapêuticas forçadas e não aguenta mais falar de pai, de mãe, de irmãs e de companhia. Em geral, comentamos as notícias do dia.

Na semana passada, ele foi atraído por uma história "edificante". Uma universidade americana dedicara um anfiteatro a uma professora de escola primária e secundária que, depois de uma longa carreira de ensino, foi paralisada pela doença de Lou Gehrig (uma distrofia muscular progressiva) e seguiu ensinando. Quando perdeu a voz, passou a ensinar surdos-mudos. Na reportagem, ela estranhava a atenção e os elogios: era uma mulher em paz com ela mesma e com o mundo, sem furores caritativos ou vocações martirológicas. Sua vida parecia simplesmente normal.

Meu jovem amigo comentou que, se estivesse no lugar dela, já teria acabado com sua própria vida. Essa idéia, concordei, passaria por qualquer cabeça. Mas por que a professora não foi por esse caminho?

Claro, se ela atravessasse a vida como uma prova aos olhos de Deus, poderia encontrar conforto na perspectiva de uma recompensa final. Mas como seria possível essa existência - ao mesmo tempo dura e tranquila- sem o recurso da fé religiosa? O insuportável numa doença como essa, afirmou então meu interlocutor, são os limites, as impotências.

Notei que há uma infinidade de coisas que não conseguimos fazer. Afinal, não sei voar, nem ficar sem respirar por mais de dois minutos. Com paciência condescendente, meu amigo explicou que essas são coisas que ninguém consegue fazer. O que dói, acrescentou, é não conseguir fazer as coisas que os outros conseguem. E declarou que, se tivesse uma invalidez grave, talvez ele pudesse seguir vivendo, mas só entre pessoas tão inválidas quanto ele. Conclusão da conversa: o problema não é a invalidez, o problema são os outros. Melhor dizendo, a necessidade de se comparar aos outros.

Voltemos à professora. Ela transmitia uma sensação de paz justamente porque, pelo menos na aparência, escapava ao demônio da comparação. Justificava sua vida em si. Parecia ter nascido como um soldado ao seu posto, com uma tarefa definida. Que chovesse ou fizesse sol, que ela estivesse saltitante ou paralisada, tanto fazia, pois ela era professora, sua vida era ensinar.

O demônio da comparação não é um acidente, nem uma patologia. Ao contrário, talvez seja a norma social contemporânea: é nos comparando aos outros que encontramos nosso lugar, nossa função e nosso valor.

Essa arquitetura social comparativa foi inventada na esperança de produzir uma sociedade livre e mais justa. De fato, se todos se definem por comparação, todos podem mudar, evoluir, crescer. Ninguém é forçado a exercer uma função, ninguém tem sua vida decidida pelo berço em que nasceu ou pela cor da pele. Mas há um paradoxo: a sociedade assim produzida acarreta um potencial inédito de exclusão. Pois qual lugar sobra para quem não tem recursos para competir?

Quem, por qualquer razão, não pode encarar a comparação é mais excluído do que os párias numa sociedade de castas ou os escravos do passado. O horror moderno é que as vidas humilhadas, impedidas ou azaradas não encontram mais justificação nenhuma na ordem da sociedade e do mundo: elas são puras derrotas. A não ser, evidentemente, que a gente consiga seguir um pouco o exemplo da professora e encontrar sentidos para a vida que não sejam comparativos.

Olho para meu jovem amigo. Visivelmente não se lava há mais de um dia. Nem o rosto. Sua roupa é manchada e muito amassada. Deve ter dormido com ela.

Sua tristeza e seu desleixo não se confundem com o estilo "excluído-fashion" -feito, sei lá, de cabelos amarelos e calças rasgadas à Xuxa. Muitos adolescentes manifestam algum desprezo pela ordem moderna do mundo - por exemplo, pelas coisas que os adultos prezam, só para serem invejados pelos outros. Quase sempre é um fazer de conta salutar: os adolescentes parecem querer se subtrair do jogo adulto das comparações, mas é uma atitude que serve para eles tornarem-se incomparáveis. Essa revolta banal é um momento padrão no processo de assimilar a sociedade dos adultos.

A depressão de meu jovem amigo está um pouco além disso. Ele é mesmo apavorado e revoltado pela corrida que o espreita, aquilo que chamam de vida. Pior, ele se desespera porque sabe que sua raiva e sua indignação são mais alguns elementos desprezíveis de conformismo, apenas maneiras banais de querer ser diferente.

Trouxe-me a história da professora para formular uma pergunta: será que há como inventar uma vida que se justifique por algum mérito intrínseco? Será que dá para sonhar com uma maneira de viver que não deveria tudo ao olhar dos outros?

Pois é, competir, se distinguir, brilhar são as formas básicas de nossas relações sociais. Mas eis um aviso aos pais e aos adultos que gostariam de ser escutados por jovens e adolescentes: a professora, de sua cadeira de rodas, pode falar mais alto do que muitos Bill Gates.