quinta-feira, 22 de julho de 2010

Viver com menos (Um insight para a vida)

Li em uma reportagem da revista época, que mostrava a radical mudança de pessoas que trocaram o excesso de coisas materiais, pelo mínimo de quinquilharias que os cercavam.
Amei saber, que apesar de não fazer parte de nenhum grupo destes, eu já começara a ter estes insights há muito tempo. A felicidade decorrente disto, não é por estar numa via qualquer de modismo ou nova onda, mas de fazer parte de algo que acredito ser importante para todos nós humanos: a leveza.
Realmente não vejo importância nenhuma em ter a última geração em telefone; o computador mais potente; acessar o último vídeo idiota do youtube ou adquirir as tão desejadas marcas de roupas e acessórios do mundinho. Não tenho cartão de crédito, nem cheques ou um guarda-roupa de peso. Com certeza, nunca estarei na fila quilométrica do lançamento de um novo modelo de tecnologia qualquer. Estarei, sim, fazendo meu trabalho feliz da vida, ou numa diversão com amigos; ou na minha, simplesmente, sozinho, ouvindo música, lendo; numa praia, ou rindo, num papo bem informal. Aliás, formalidade nunca foi minha praia.
Há muito tempo venho trabalhando a solidão, e percebi que gosto da minha companhia, mas sem neuras de achar que eu me basto ou que fico bem melhor sozinho. Não! Eu só aprendi a me suportar melhor, a ver que não sou "o Cara" e que tenho minhas limitações, é bom te-las.
Na minha área � um excelente exercício cortar os excessos, ser direto, sem delongas. Repensar o peso de um "que" no texto, e tantas outras partículas, palavras, advérbios, adjetivos, principalmente.
Atualmente minhas posses indumentárias se constituem de um tênis; um sapato social; quatro pares de meias, para acompanhar o sapato; quatro esportivas, para o tênis; três calças jeans; seis camisas sociais; duas camisetas, cinco cuecas e um cinto social. Na seção de perfumaria, apenas um frasco; na cosmética alguns ítens básicos para rosto, pés, corpo e cabelo.
Me livrei de muita coisa de casa, que percebi, não fazerem falta. Aos poucos fui ganhando espaço na cozinha, sala, quarto...
As relações de amizade passaram por uma peneira, e percebi que ficaram poucos, bem poucos, mas essenciais. Aliviei a lista de "amigos do Orkut"; tenho apenas um amor; era muita coisa na cabeça para administrar...risos...O povo do MSN também foi sumindo aos poucos.
Não tenho mais vontade de estar em todas as festas, tomar todas e "pegar o sol com a mão". Troquei valores, adquiri consistência, e tenho me desintoxicado do que acredito ainda serem excessos.
Ainda falta diminuir a ansiedade, o medo de ser rejeitado, a barriga herdada de um passado de gloriosas bebedeiras e alimentação libertina. Existe ainda uma lista de coisas que ocupam minha mente. Mas essa limpeza vem ainda com o tempo, com amadurecimento e aprendizado.
Quero ainda menos medo; menos guerra; dor; preconceito; violência; terrorismos e curiosidade sobre a vida alheia. Quero, sim, mais leveza.

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