A desgraça em preto e branco
Assisti nesse fim de semana, no primeiro filme do meu Zombieguide!, um dos maiores clássicos do terror de todos os tempos do cinema. A Noite dos Mortos Vivos pode parecer tosco ao extremo e mal feito que nem a sua cara, mas tudo tem que ser avaliado no seu devido tempo. O ano de 1968 ainda não permitia que a filmagem em preto e branco fosse considerada barata, e o baixo valor agendado para a produção (algo em torno de 100 mil dólares) tornava inviável a gravação de uma super-produção. Foi aí que entrou o toque de um gênio.
George Romero é o cara. Esse seu primeiro filme foi algo além do Bom. Ele conseguiu criar um mundo mais desgraçado do que a própria desgraça humana consegue criar com essa nossa realidade patética e agourenta. Agora o problema não é mais a guerra, os extra-terrestres ou uma praga de gafanhotos. O problema agora são mortos que se levantam de suas tumbas e comem os vivos. Mas que caralho, quem poderia imaginar uma situação tão satânica assim? Oras meu amigo, lendas de mortos que retornam do mundo dos vivos sempre existiram na história da humanidade, mas um apocalipse onde o mundo todo fica refém de uma espécie desgraçada que tende a aumentar gradativamente (todos vamos morrer e se morrer vira zumbi e tal) é algo assustadoramente fantástico.
A Noite dos Mortos Vivos é um filme sangrento e brutal, um clássico eterno do cinema mundial. E todos os filmes de terror e de zumbi que vieram depois dele devem reverenciá-lo para todo o sempre.
E se você acha tosco e mal feito, faz o seguinte teste: pegue sua câmera e grave aí na rua algo com 10 minutos com mais genialidade do que isso. Falar é fácil, difícil é superar o maior mestre dos zumbis de todos os tempos.

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